A distração no embate pela privacidade

Por Vinicius Braga 13 de June 2015

Quando leio um texto sobre privacidade, sempre ocorre a valorização do embate do estado versus o cidadão como problemática que deve ser resolvida.

Não obstante que vivenciamos a defesa do modelo de estado distópico, no claro exemplo da polícia militarizada pelo mundo, vamos imaginar por um momento, que este modelo é apenas um equívoco de interpretação do legítimo funcionamento do estado no cumprimento da lei. E imaginando agora, que estamos sob este véu de ilusão pacificadora de um estado protetor; o quê sobra do discurso sobre a privacidade e anonimidade na internet: O monitoramento e venda dos hábitos dos cidadãos que usam a internet em algum momento.

Em raras ocasiões se revela a espoliação dos dados do indivíduo, mas ao contrário, se glorifica as soluções de cooptação do mesmo, e a proteção dos dados, tenta-se resolver criando novas "oportunidade de negócios". E seguindo este caminho, legitimando o direito de ser espoliado, justifíca-se a necessidade de um aprofundamento na tecnologia incompreensível que ele já vive.

E como o indivíduo já está embaraçado, e não compreende como os sistemas funcionam, a escapatória dele é o uso alienado da tecnologia e capitular as suas escolhas aos especialistas. Estes são escolhidos e apresentados no sistema de comunicação, o qual sobrevive pelo financiamento de quem quer aprisionar o indivíduo economicamente. E o ciclo é perverso na busca do indivíduo pela libertação pelos meios que visam explorá-lo.

Então, mesmo uma solução tecnológica simples para o cidadão é, na verdade, uma fuga do enfrentamento do problema, e que beneficia os agentes exploradores na conciliação do indivíduo com o uso espoliativo da tecnologia.

E nesta realidade aparentemente avassaladora, toda solução tecnológica que empurra o indivíduo neste caminho é uma miragem, uma desculpa para não se enfrentar organizando as pessoas com soluções independentes, customizadas e conscientizando do uso da tecnologia como instrumento de emancipação, e não de escravização econômica.

Ao fim, o discurso do embate do cidadão versus o estado, lutando pela sua privacidade e anonimidade, e as tecnologias para isto, só é uma distração plausível de ser apresentada nos meios de comunicação, para distrair o indivíduo de se organizar numa emancipação digital real, contra os sistemas de espoliação virtuais já existentes.

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