Em 2 anos, a descoberta de muitas desculpas...

Por Vinicius Braga 14 de November 2017

O ano de 2016 e 2017 foram difíceis para mim. A morte de meu pai e a responsabilidade de viabilizar a recuperação hospitalar de minha mãe em casa, trouxe um inevitável momento de mudança de estilo de vida.

Das opções, escolhi a família. Uma escolha contrariando uma jornada profissional, e talvez tivesse esta intenção, para entender um elemento que eu sentia falta. Até aquele instante, eu percebia que as minhas experiencias profissionais não tinham contribuído no meu amadurecimento.

Existia sempre uma sensação de fuga dos momentos mundanos, pelas grandes responsabilidades no trabalho. Mesmo trabalhando em casa, isto tornava-se uma fuga perfeita.

Agora sem a obrigação do trabalho, emergem as pequenas tarefas que sempre tiveram lá e precisavam ser feitas. Varrer o quarto, dar remédio a cada 2 horas, lavar a louça, inspecionar a higiene das coisas. A venda do seu tempo tem um caráter de Opus suprema, incontestável, e por isso torna-se um redemoinho que te absorve, afastando das tarefas que conectam com a sua família. Esta é a percepção que foi crescendo em mim, enquanto acostumava com a escolha que tinha feito.

Acompanhando este momento, percebi como a família se dissolve quando os seus membros doam ou vendem o seu tempo para agentes externos. O reforço da comunicação de massa fazendo-se voz da sociedade e modelo para este fim, tornamo-nos incapazes de compreender o esvaziamentos em nossas relações. Quando sensíveis em perceber este esvaziamento, alguns membros cometem o erro de replicar o mesmo modelo que foi responsável por este problema. Um bem material nunca será um substituto para uma ausência.

E enfrentando as tarefas mundanas, da responsabilidade por uma pessoa idosa, do entendimento do esvaziamento das relações familiares, consegui perceber que toda a sociedade está distanciada, ou se distanciou, desta realidade do envelhecimento e cuidado com o familiar. Onde a opção por uma sociedade inconsequente e com desejo irrestrito, ainda persiste mesmo quando somos informados que viveremos por mais tempo na velhice e que estamos criando ilhas de lixo plástico nos oceanos da Terra.

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